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Gerir a Rir

Publicado em 2 de Dezembro de 2007

Smile

“Rir é uma expressão audível ou aparência de divertimento ou, ainda, uma expressão interna de alegria ou prazer (rir para dentro). Pode ser desencadeado por piadas, cócegas ou outros estímulos.”

Wikipedia

Passo a vida a rir. De manhã à noite e independentemente dos contextos onde esteja. E não, a minha profissão não é palhaço. Apenas nunca aceitei a convenção de que o lazer está associado a diversão e o trabalho a obrigação. Tal noção sempre me foi estranha. Nunca a percebi. Ou nunca a quis perceber.

No meu grupo de amigos mais próximos sempre cultivámos o que pode ser descrito como uma “cultura de avacalho”. Temos por hábito gozar com os defeitos uns dos outros, e não deixar passar despercebidas as situações mais confrangedoras.

Esta cultura tem como corolário uma consciência comum dos nossos defeitos, ou características mais risíveis, que propicia um relacionamento aberto e descontraído onde as verdades são ditas entre gargalhadas.

Existem, obviamente, limites decorrentes do sentido de tacto e do bom senso. A ideia é divertirmo-nos e não magoar-nos. Todos sabemos quais os riscos que não devemos (e logo não podemos) pisar. Hum… Se pensar bem, às vezes são exactamente esses riscos que dá gozo ultrapassar. Mas sempre sem malícia ;-).

Gestão, pressão e boa disposição

“A gestão compreende dirigir e controlar uma ou mais pessoas ou entidades com o propósito de as coordenar e harmonizar no sentido de alcançarem um objectivo.”

Wikipedia

Podemos encarar a gestão como um exercício maquiavélico onde um iluminado desloca peças de um hipotético tabuleiro rumo a um objectivo. Ou podemos vê-la como uma actividade colaborativa onde, apesar de um elemento ter a função de “pivô”, todos participam activamente. Prefiro claramente a segunda via.

"Modelos" de Gestão

E por pensar assim, tento transpor a presença constante do humor da minha vida pessoal para o campo profissional com o intuito de contribuir para um ambiente informal onde informação e crítica possam fluir sem constrangimentos. É algo que procuro praticar no dia-a-dia, mas que se acentua em projectos em que assumo a gestão.

Quem já enfrentou a tarefa de gerir equipas de pessoas com perfis muito distintos sob pressão sabe a importância que uma boa convivência interpessoal tem.

Sabe, também, que a tolerância das pessoas a críticas ou reparos diminui numa proporção inversa à pressão que têm no momento. Dito por outras palavras: sob muita pressão quase todos ficamos umas “primas donas” intratáveis, capazes de explodir a qualquer momento :-).

Nestas alturas mais críticas, o humor assume-se como um excelente recurso na gestão de equipas; não só quando é necessário assegurar uma convivência sadia (o que quer que isso seja) entre toda a equipa; como também quando é preciso fazer um ou outro reparo a uma pessoa específica.

Mas como integrar o humor no seio de uma equipa de trabalho? Quais as condições de partida que devemos garantir?

Tentarei responder a estas perguntas apresentado alguns cenários e identificando alguns “requisitos”.

Ah… Uma pequena ressalva: leiam o que se segue com alguma desconfiança. Nunca se sabe se eu vos estou a induzir em situações menos confortáveis apenas pelo gozo da “coisa”…

Cenários de humor e bem dizer

O “auto-avacalho”

"Auto-avacalho"

Gozem frequentemente com os vossos defeitos. Exponham-se. Se assumirem e partilharem os vossos defeitos terão muito mais à-vontade para fazer reparos às pessoas com quem trabalham, quando necessário. E estas terão muito mais receptividade às vossas críticas.

Devem ter algum cuidado para que essa exposição não seja um monólogo. Não sejam o “bobo da corte”. Dêem os primeiros passos. Provoquem. Mas esperem que os outros façam o mesmo antes de avançar mais.

Tenham, igualmente, sempre presente que, apesar de partilharem os vossos defeitos com o resto da equipa, esta deve ter consciência das competências que vos capacitam a geri-la.

A hipérbole como prova de conceito

A hipérbole como prova de conceito

Imaginem a seguinte situação. Têm na equipa um excelente profissional, mas extremamente desorganizado. O que fazer?

Brincar com a situação, exagerando essa característica ao nível da caricatura e projectar cenários hipotéticos, que poderiam acontecer caso essa representação da pessoa (não a pessoa) tivesse “rédea solta”.

Consegue-se, assim, que a pessoa perceba os riscos que a sua desorganização acarreta. Não se sente, no entanto, atacada com este “alerta bem disposto”, pois não nos referimos directamente a ela, mas sim a uma representação burlesca de uma característica sua.

Temperem esta brincadeira com sublinhados da importância que essa pessoa tem para a equipa, evitando assim que, em algum momento, esta se sinta minimizada pela brincadeira.

“Agora todos”

"Agora todos"

A criação de um ambiente descontraído deve ser um processo colaborativo. Regra geral, rapidamente encontrarão apoio às vossas iniciativas por parte de algumas pessoas com o espírito do humor mais aguçado. Mas não fiquem por aí. Puxem, também, pelas pessoas supostamente menos propensas ao humor. Nunca se esqueçam que em cada um de nós há um Ricardo Araújo Pereira em potência.

Requisitos

É óbvio que nem sempre podemos recorrer ao humor nas relações profissionais. Existe um conjunto de requisitos que devem ser garantidos, minimizando-se assim a hipótese do humor ter um efeito inverso ao pretendido:

  • A equipa deve ser composta por profissionais competentes e seguros de si. Um profissional inseguro tende a ver as piadas que lhe são dirigidas como ataques.
  • A equipa deve ser composta por pessoas descontraídas e com algum “jogo de cintura”. Existem muitas pessoas que não estão dispostas a partilhar momentos de humor com os colegas de trabalho. É um direito que têm e deve ser respeitado.
  • Deve conhecer-se quais os temas mais sensíveis da pessoa com quem brincamos. Temos de saber até onde podemos ir. Por mais “boa onda” que a pessoa tenha, todos temos os nossos limites e os nosso tabus.
  • O ditado popular “há alturas para tudo” é sábio. Aprendam a “ler” os estados de espírito das pessoas que vos rodeiam. E dêem pistas aos outros dos vossos estados de espírito.

Mais uma vez, não me levem demasiado a sério. Vejam esta lista apenas como um estímulo ao vosso olhar crítico sobre os contextos onde trabalham.

O velho chavão “cada caso é um caso” é sábio nesta matéria. Não serei certamente a pessoa mais indicada para opinar sobre os requisitos à prática do humor nas comunidades de lenhadores do Canadá ou nas equipas de ginastas olímpicas chinesas…

Síntese

O humor é bom para o corpo e para a alma. Estimula a criatividade. Facilita a comunicação. Reforça laços.

Na gestão de projecto nem sempre é a solução. Por vezes é necessário bater o pé. Chatearmo-nos. Marcarmos uma posição.

Mas deixem a cara sisuda para essas alturas. Em todos as outras façam do humor uma constante e rapidamente perceberão como este pode ser decisivo no alcançar dos objectivos definidos. E ainda por cima com um enorme gozo ;-).

Só mais uma nota… Pela forma “analítica” como falei sobre humor poderão ficar a pensar que o vejo como um instrumento. Nada mais errado. Foi apenas uma tentativa de criar um quadro de referência sobre algumas das suas aplicações concretas na gestão de projectos. Mas, regra geral, as ideias que expus foram surgindo, e sendo praticadas, espontaneamente e só depois teorizadas com o intuito de partilhar as experiências vividas.

4 Comentários | Comentar

É sempre bom começar a semana com um sorriso :)

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Ricardo Baeta
3 de Dezembro de 2007
11h:13m

Não podia estar mais de acordo com tudo o que aqui escreves.
Para mim é uma maneira de estar na vida.
Pelo menos tento que o seja, cada vez mais :)
Embora deva de confessar que o Ricardo Araújo Pereira que há em mim é ainda bastante embrionário :D

E sem querer ser lamechas, devo dizes que, é por este e outros motivos, que me sinto realmente privilegiada por fazer parte desta equipa, tenho dito !! :)

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Carla Pessoa
3 de Dezembro de 2007
11h:29m

@ Ricardo Baeta

E também é bom começar a semana com um comentário desses ;-)!

@ Carla Pessoa

Fico contente em saber que, apesar de seres nova no IST, manifestas abertura para esta abordagem. Até agora estávamos só a testar-te… Prepara-te para a “artilharia pesada”! Just kidding ;-).

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guspim
4 de Dezembro de 2007
07h:33m

Grande!
andando e rindo!
http://www.cyberiapc.com/images/walkingascii.gif

abraço bolástiko

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Mr bola
26 de Dezembro de 2007
23h:26m

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