[Notas Soltas]: Edição do Ócio
Publicado em 18 de Fevereiro de 2008
Sabendo que tenho uns meses de trabalho intenso à espreita com o avizinhar do lançamento da aplicação Web de inquéritos a que me dediquei de corpo e alma nos últimos tempos, resolvi fazer uma jornada de ócio para limpar a cabeça e me preparar para o esforço final.
A decisão não poderia ter sido melhor, com a força anímica completamente recuperada, o trabalho tem sido mais produtivo do que nunca. Acho que finalmente voltei a perceber que às vezes é preciso parar…
Deixo-vos aqui algumas linhas sobre o caminho traçado, que poderão servir de inspiração a quem procure uma sugestão para um fim-de-semana bem passado ou para uma boa refeição.
Alentejo
Ao fim de uma longa ausência voltei à região de Portugal onde sempre me senti melhor: o Alentejo.
O local escolhido foi a Herdade do Reguenguinho no Cercal, e a escolha não podia ter sido melhor pois a Susana recebe os hóspedes com uma simpatia tal que imediatamente esquecemos as teias de assuntos do dia-a-dia e nos envolvemos numa calma contínua e relaxante.
Não deu para passear muito porque o tempo não ajudou à festa, mas no contexto em que estava isso foi um pormenor de importância menor. Ficámo-nos por uma ronha constante e por umas belas refeições na Praia de Morgavel.
Ia com uma recomendação insuspeita para experimentar o restaurante Trinca Espinhas, mas o alerta da Susana para um serviço menos convidativo e o facto de não se poder fumar levaram a uma súbita mudança de planos para o vizinho Arte e Sal.
Bastou irmos uma vez para decidirmos que esse seria o nosso poiso para as aventuras gastronómicas. Confesso que o peixe, apesar de fresco, não me impressionou por aí além, mas um restaurante é muito mais do que a comida que serve.
A simpatia de dono e empregados, que nos fez sentir imediatamente como “pessoas da casa”, cativou-nos mal entrámos. Esse foi o factor preponderante que levava o carro a entrar em auto-piloto cada vez que a fome apertava ao final da tarde.
Quanto à comida, mais do que os pratos principais, fiquei seduzido por uma entrada, gambas com alho, um acompanhamento, migas de espigos, e uma sobremesa, a melhor mousse de chocolate que comi até hoje.
Mais ócio
De regresso a Lisboa, quase sem tempo para desfazer as malas da incursão à Costa Vicentina, o início deste mês foi marcado por uma maratona gastronómica de três dias com destinos e contextos bem diferentes.
Quinta-feira, a pretexto de conhecer uns amigos da Maggy, um regresso há muito esperado ao restaurante japonês Aya, nas Twin Towers.
A festa de sabores, partilhada por 6 convivas, foi intensa. Três entradas: ostras panadas (nunca tinha experimentado, mas certamente vou repetir), temaki de salmão e sopa e miso. Seguiu-se um super barco carregado de sushi e sashimi que acabou por ser comido em simultâneo com uma carne qualquer cujo nome e proveniência confesso não me recordar. Tudo irrepreensível.
O único problema do Aya é o preço, mas felizmente agora existe uma alternativa bem credível. O sr. Zé, ex-cozinheiro do Aya, abriu o restaurante Mayumi, ao lado do Centro Comercial São João de Deus, que imediatamente entrou para a minha top list.
Com um preço muito mais convidativo - quinze euros chegam para degustar uma refeição completa à base de sashimi - este pequeno restaurante, sem grandes preocupações ao nível da decoração, é de longe a melhor alternativa qualidade / preço que conheço para comer sushi e sashimi na capital. Como bónus ainda temos a boa disposição e humor aguçado do Sr. Zé que contribuem decisivamente para o prazer do repasto.
Sexta-feira, num jantar com colegas do secundário, voltei a uma descoberta recente, mas muito apreciada: o restaurante Senhora Mãe.
A qualidade da comida continua excelente, recomendo vivamente o rosbife e o sorvet de tangerina e limão , mas infelizmente já não existe o luxo que era ter o restaurante só para “nós” que se verificava quando o Senhora Mãe era menos conhecido. Confesso que jantar ladeado por despedidas de solteira e turistas não é bem o meu ambiente preferido… Talvez durante a semana se consiga reviver o encanto inicial…
A seguir dei um salto ao Bairro Alto para rever os amigos a quem chamo família, a que se seguiu uma visita ao Lux para um curto pé de dança. Outrora boémio convicto, actualmente as noites para mim apenas fazem sentido pelos amigos. O que é mais do que um excelente motivo para voltar.
Sábado… Bem, sábado voltei ao templo do peixe fresco: o restaurante As Furnas, na Ericeira. Não hesitem, se querem provar o mar este é o sítio indicado. Desta vez ainda tive a sorte de ter um cicerone de luxo. Não poderia estar em melhores mãos. Não escolhi nada, limitei-me à degustação.
Então vejam bem o tratamento VIP dado ao paladar… Começámos por percebes, seguidos de umas amêijoas à bolhão pato de cair para o lado e por camarões tigre com uma carne certamente abençoada por alguma entidade divina. Para prato principal foi escolhido um imponente robalo que se estivesse mais fresco fugiria do prato rumo ao mar que rodeia o restaurante. Para terminar uma tarte de maçã com uma bola de gelado que só por si justificava uma visita ao tempo. Tudo regado por um Quinta do Carmo 2002 tinto que dispensa qualquer descrição. Sim, mesmo com peixe dificilmente quebro a minha lealdade ao tinto.
O regresso à labuta
Estou agora de regresso a um ritmo de trabalho intenso, pautado pelo intercalar entre o trabalho diurno no técnico e o nocturno e de fins-de-semana na aplicação de inquéritos. A diferença? A produtividade aumentou consideravelmente depois do reset feito à cabeça.
4 Comentários | Comentar
Hum! :)
Alentejo, boa comida, boa companhia, descanso… e reset ao cérebro!!
Parece-me muito bem!
Depois disto só faltou uma alusão ao sabor experimentado na Casinha Velha, em Leiria… mas bem sei que foi depois da publicação deste artigo!
Fica para uma próxima oportunidade ;)
Joana Viana
19 de Março de 2008
19h:15m
O Casinha Velha? Bastou uma visita para passar imediatamente para o topo da minha lista de restaurantes ;-).
Gustavo Pimenta
20 de Março de 2008
10h:53m
Estou plenamente de acordo com a sua referência ao MAYUMI do Sr. José Alves: decilias japonesas de lamber os dedos a preço justo. E sabia que em Maio já vai ter serviço de entregas ao domicílio? Ele precisa é de mais divulgação e eu já lhe garanti que vai ter uma legião de fãs a passar palavra e parece que estou a acertar. O Sr. José merece todo o empurrãozinho que lhe pudermos dar!
Teresa
6 de Abril de 2008
21h:20m
Essa informação do serviço de entregas é perigosíssima… Agora como é que eu me controlo? ;-)
guspim
12 de Abril de 2008
12h:20m
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