Sabendo que tenho uns meses de trabalho intenso à espreita com o avizinhar do lançamento da aplicação Web de inquéritos a que me dediquei de corpo e alma nos últimos tempos, resolvi fazer uma jornada de ócio para limpar a cabeça e me preparar para o esforço final.
A decisão não poderia ter sido melhor, com a força anímica completamente recuperada, o trabalho tem sido mais produtivo do que nunca. Acho que finalmente voltei a perceber que às vezes é preciso parar…
Deixo-vos aqui algumas linhas sobre o caminho traçado, que poderão servir de inspiração a quem procure uma sugestão para um fim-de-semana bem passado ou para uma boa refeição.
Alentejo
Ao fim de uma longa ausência voltei à região de Portugal onde sempre me senti melhor: o Alentejo.
O local escolhido foi a Herdade do Reguenguinho no Cercal, e a escolha não podia ter sido melhor pois a Susana recebe os hóspedes com uma simpatia tal que imediatamente esquecemos as teias de assuntos do dia-a-dia e nos envolvemos numa calma contínua e relaxante.
Não deu para passear muito porque o tempo não ajudou à festa, mas no contexto em que estava isso foi um pormenor de importância menor. Ficámo-nos por uma ronha constante e por umas belas refeições na Praia de Morgavel.
Ia com uma recomendação insuspeita para experimentar o restaurante Trinca Espinhas, mas o alerta da Susana para um serviço menos convidativo e o facto de não se poder fumar levaram a uma súbita mudança de planos para o vizinho Arte e Sal.
Bastou irmos uma vez para decidirmos que esse seria o nosso poiso para as aventuras gastronómicas. Confesso que o peixe, apesar de fresco, não me impressionou por aí além, mas um restaurante é muito mais do que a comida que serve.
A simpatia de dono e empregados, que nos fez sentir imediatamente como “pessoas da casa”, cativou-nos mal entrámos. Esse foi o factor preponderante que levava o carro a entrar em auto-piloto cada vez que a fome apertava ao final da tarde.
Quanto à comida, mais do que os pratos principais, fiquei seduzido por uma entrada, gambas com alho, um acompanhamento, migas de espigos, e uma sobremesa, a melhor mousse de chocolate que comi até hoje.
Mais ócio
De regresso a Lisboa, quase sem tempo para desfazer as malas da incursão à Costa Vicentina, o início deste mês foi marcado por uma maratona gastronómica de três dias com destinos e contextos bem diferentes.
Quinta-feira, a pretexto de conhecer uns amigos da Maggy, um regresso há muito esperado ao restaurante japonês Aya, nas Twin Towers.
A festa de sabores, partilhada por 6 convivas, foi intensa. Três entradas: ostras panadas (nunca tinha experimentado, mas certamente vou repetir), temaki de salmão e sopa e miso. Seguiu-se um super barco carregado de sushi e sashimi que acabou por ser comido em simultâneo com uma carne qualquer cujo nome e proveniência confesso não me recordar. Tudo irrepreensível.
O único problema do Aya é o preço, mas felizmente agora existe uma alternativa bem credível. O sr. Zé, ex-cozinheiro do Aya, abriu o restaurante Mayumi, ao lado do Centro Comercial São João de Deus, que imediatamente entrou para a minha top list.
Com um preço muito mais convidativo – quinze euros chegam para degustar uma refeição completa à base de sashimi – este pequeno restaurante, sem grandes preocupações ao nível da decoração, é de longe a melhor alternativa qualidade / preço que conheço para comer sushi e sashimi na capital. Como bónus ainda temos a boa disposição e humor aguçado do Sr. Zé que contribuem decisivamente para o prazer do repasto.
Sexta-feira, num jantar com colegas do secundário, voltei a uma descoberta recente, mas muito apreciada: o restaurante Senhora Mãe.
A qualidade da comida continua excelente, recomendo vivamente o rosbife e o sorvet de tangerina e limão , mas infelizmente já não existe o luxo que era ter o restaurante só para “nós” que se verificava quando o Senhora Mãe era menos conhecido. Confesso que jantar ladeado por despedidas de solteira e turistas não é bem o meu ambiente preferido… Talvez durante a semana se consiga reviver o encanto inicial…
A seguir dei um salto ao Bairro Alto para rever os amigos a quem chamo família, a que se seguiu uma visita ao Lux para um curto pé de dança. Outrora boémio convicto, actualmente as noites para mim apenas fazem sentido pelos amigos. O que é mais do que um excelente motivo para voltar.
Sábado… Bem, sábado voltei ao templo do peixe fresco: o restaurante As Furnas, na Ericeira. Não hesitem, se querem provar o mar este é o sítio indicado. Desta vez ainda tive a sorte de ter um cicerone de luxo. Não poderia estar em melhores mãos. Não escolhi nada, limitei-me à degustação.
Então vejam bem o tratamento VIP dado ao paladar… Começámos por percebes, seguidos de umas amêijoas à bolhão pato de cair para o lado e por camarões tigre com uma carne certamente abençoada por alguma entidade divina. Para prato principal foi escolhido um imponente robalo que se estivesse mais fresco fugiria do prato rumo ao mar que rodeia o restaurante. Para terminar uma tarte de maçã com uma bola de gelado que só por si justificava uma visita ao tempo. Tudo regado por um Quinta do Carmo 2002 tinto que dispensa qualquer descrição. Sim, mesmo com peixe dificilmente quebro a minha lealdade ao tinto.
O regresso à labuta
Estou agora de regresso a um ritmo de trabalho intenso, pautado pelo intercalar entre o trabalho diurno no técnico e o nocturno e de fins-de-semana na aplicação de inquéritos. A diferença? A produtividade aumentou consideravelmente depois do reset feito à cabeça.
15 Comentários | Comentar
Hum! :)
Alentejo, boa comida, boa companhia, descanso… e reset ao cérebro!!
Parece-me muito bem!
Depois disto só faltou uma alusão ao sabor experimentado na Casinha Velha, em Leiria… mas bem sei que foi depois da publicação deste artigo!
Fica para uma próxima oportunidade ;)
Joana Viana
19 de Março de 2008
19h:15m
O Casinha Velha? Bastou uma visita para passar imediatamente para o topo da minha lista de restaurantes ;-).
Gustavo Pimenta
20 de Março de 2008
10h:53m
Estou plenamente de acordo com a sua referência ao MAYUMI do Sr. José Alves: decilias japonesas de lamber os dedos a preço justo. E sabia que em Maio já vai ter serviço de entregas ao domicílio? Ele precisa é de mais divulgação e eu já lhe garanti que vai ter uma legião de fãs a passar palavra e parece que estou a acertar. O Sr. José merece todo o empurrãozinho que lhe pudermos dar!
Teresa
6 de Abril de 2008
21h:20m
Essa informação do serviço de entregas é perigosíssima… Agora como é que eu me controlo? ;-)
Gustavo Pimenta
12 de Abril de 2008
12h:20m
Infelizmente a qualidade do Mayumi desceu a pique, por essa razão deixo de aconselhar uma visita…
guspim
28 de Novembro de 2008
22h:16m
Guspim: diz que a qualidade do Mayumi desceu a pique porque o Zé saiu de lá para parte incerta.
Alguém faz ideia de para onde ele foi ou como se pode falar com ele?
Ele tinha dito que teria planos para abrir outro restaurante…
Filipa
14 de Janeiro de 2008
20h:15m
Tenho ideia que ia abrir um restaurante algures na Avenida da Liberdade.
Gustavo Pimenta
14 de Janeiro de 2008
20h:34m
Quanto à qualidade, ela mantém-se ou talvez melhor. Na passada terça feira comi um toro como nunca comi em lado nenhum (e se eu conheço japonas). Acho estranho esse comentário à falta de qualidade expressa num comentário feito em Novembro, uma vez que o Zé ainda se encontrava a trabalhar no mayumi.
Pelo que sei, ele deixou o restaurante em Janeiro e parece que vai trabalhar para Aveiro.
No entanto, o Danilo é nota 10. Experimentem que vão adorar o novo menu.
E por fim o serviço de entregas é realmente um descontrolo, passou a ser japones cá em casa dia sim dia sim, até os miudos preferem à pizza.
Bom apetite que só de falar já me deu água na boca
teresa
14 de Janeiro de 2008
23h:38m
O comentário foi feito em Novembro porque foi nesse mês que visitei o Mayumi pela última vez.
O Zé não estava lá e não gostei do que comi. Pode ter sido um mau dia, mas não fiquei com vontade de lá voltar e muito menos de aconselhar a visita a outras pessoas.
Gustavo Pimenta
14 de Janeiro de 2008
23h:58m
O Zé ainda estar no restaurante em Novembro é relativo… Entre doença e supostas férias infindáveis grande parte do mês de Novembro em que ele já não estava. Aliás, em Dezembro não esteve de todo.
Seja como for, há que dizer que resolvi dar o benefício da dúvida ao Danilo e confesso que fiquei agradavelmente surpreendida e eu própria volto a aconselhar uma visita ao restaurante. O novo menú é muito parecido com o anterior, convenhamos, mas a criatividade “no momento” do Danilo é de louvar.
Gustavo: se calhar valia a pena nova visita ;)
Obrigada pela vossa ajuda!
Filipa
21 de Janeiro de 2008
15h:15m
Estou convencido, vou lá voltar :).
Gustavo Pimenta
22 de Janeiro de 2008
09h:09m
Chamaram-me a atenção para esta “conversa” e sendo um fiel adepto do AYA desde a Rua das Trinas (e me lembrar do tirocínio a que o José foi aí sujeito pelo Sumo Sacerdote destas artes, Yoshitake San) gostava de contribuir com a minha opinião.
Concordo com a excelente relação qualidade/preço do Mayumi indicada. Creio que será difícil ao Danilo substituir o completamente o José – que ao que sei continua com parte do restaurante e por isso ligado ao Mayumi. Mas penso que o que o Danilo sabia, com o que aprendeu com o José e com aquilo que Clientes conhecedores lhe possam “ensinar” faz-me continuar a investir no Mayumi, pois a matéria prima continua muito acima da média e o preço impossível de bater.
Sugiro no entanto melhorias no espaço físico para o transformar num lugar mais acolhedor.
Pedro Reis
22 de Janeiro de 2008
16h:11m
Acho muito bem. Obrigado pela informação.
Pedro Reis
22 de Janeiro de 2008
17h:03m
Já voltei ao Mayumi e tenho que dar a mão à palmatória: a relação preço / qualidade continua imbatível. O serviço também melhorou significativamente.
Espero que as experiências menos positivas que lá vivi tenham sido daqueles fenómenos inexplicáveis que acontecem muito de vez em quando ;-).
Gustavo Pimenta
6 de Fevereiro de 2008
09h:01m
Só para informar a navegação sushistica que o Mayumi agora tem também um belissimo buffet à hora de almoço, que até inclui sobremesas e sashimi. É a 9,50 € e a visitar com regularidade!
Teresa
Teresa
17 de Outubro de 2008
11h:14m
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