O que é a Usabilidade?
Publicado em 19 de Fevereiro de 2008

Mas afinal o que é a usabilidade? É uma boa pergunta de partida para uma reflexão em torno desta palavra que tem vindo a marcar uma presença crescente no léxico comum e, timidamente, começa mesmo a entrar nos dicionários de língua portuguesa.
As definições de dicionário, apesar de salutares e úteis, são insuficientes para compreender a amplitude do conceito porque a palavra encerra em sim vários significados: é simultaneamente uma “filosofia de design”, um atributo da qualidade, uma área profissional, um conjunto de metodologias e técnicas, etc.
Proponho-me, neste artigo, fazer uma pequena incursão pragmática sobre parte desses “significados” com o intuito de clarificar alguns pontos e preparar terreno para artigos subsequentes onde abordarei as várias técnicas de user research usadas no design centrado no utilizador.
Definições de usabilidade
Acima de tudo, gosto de encarar a usabilidade como uma filosofia; uma crença de que o design de um produto deve ir ao encontro das necessidades dos seus utilizadores e proporcionar uma excelente experiência de utilização, pois isso determina o seu sucesso.
Todavia, esta visão da usabilidade dá-nos apenas um enquadramento geral; para compreendermos com rigor do que estamos a falar é necessário reduzir um pouco o nível de abstracção e destrinçar a sua definição.
Em poucas palavras, a usabildade pode ser definida como a facilidade de utilização de um produto para conseguir atingir um determinado objectivo. O termo compreende, também, o conjunto de metodologias e técnicas que permitem melhorar essa mesma facilidade de utilização.
Esqueçamos por uns momentos a componente mais metodológica, de que falaremos mais à frente, e concentremo-nos na facilidade de utilização.
Nesta matéria não vale a pena inventar a roda, e arriscar uma nova definição, porque a proposta pelo Jakob Nielsen toca em todos os pontos essenciais. O autor define a usabilidade como um atributo da qualidade e identifica o que considera serem os seus cinco componentes:
- Facilidade de aprendizagem. Quão fácil é para os utilizadores conseguir realizar as tarefas básicas no seu primeiro contacto com um produto?
- Eficiência. Após os utilizadores aprenderem a utilizar o produto, com que rapidez conseguem realizar as tarefas?
- Memorização. Quando os utilizadores retornam ao produto após um período de não utilização, com que facilidade conseguem restabelecer a sua proficiência?
- Erros. Quantos erros os utilizadores fazem, qual a gravidade desses erros e com que facilidade conseguem recuperar dos erros?
- Satisfação. Quão agradável é utilizar o produto?
Num registo diferente, encontramos na International Organization for Standardization (ISO) duas referências à usabilidade:
- “A set of attributes that bear on the effort needed for use, and on the individual assessment of such use, by a stated or implied set of users.” ISO 9126 (1991) Software Engineering Product Quality
- “The extent to which a product can be used by specified users to achieve specified goals with effectiveness, efficiency and satisfaction in a specified context of use.” ISO 9241-11 (1998) Guidance on Usability
Porque é que a usabilidade é importante?
Independentemente da definição que adoptemos, interessa perceber porque é que a usabilidade é importante.
No site da webnauts encontramos uma excelente explicação das vantagens da usabilidade tanto para “produtores” como para utilizadores que reproduzo de seguida.
Utilizadores
- Conseguem atingir os seus objectivos tanto eficientemente como eficazmente.
- Ficam satisfeitos com a utilização do produto.
- Têm prazer em utilizar o produto.
- Estabelecem uma relação de confiança com o produto.
Produtores
- Reduzem o tempo e custos de produção.
- Reduzem os custos de suporte.
- Reduzem os erros dos utilizadores.
- Reduzem o tempo e custos de formação.
- Aumentam o retorno de investimento.
Como melhorar a usabilidade de um produto?
Sendo obviamente redutor relativamente às várias vias de abordar o design de um produto tendo em consideração a usabilidade do mesmo, destaco aqui o design centrado no utilizador e o “design de génio”.
O design centrado no utilizador caracteriza-se pelo envolvimento de utilizadores reais no design e desenvolvimento do produto desde o primeiro momento e de forma contínua. Para este efeito temos ao nosso dispor um conjunto variado de técnicas de user research, de que falei noutro artigo e que abordarei em pormenor em próximos artigos.
Outra abordagem, pela qual a Apple é conhecida, é a que o Dan Saffer designa de “design de génio”. Basicamente assenta no princípio de que o conhecimento adquirido de alguns designers lhes permite perceber o esquema mental dos utilizadores sem ter que realizar qualquer tipo de testes.
Esta definição de “design de génio”, que transmite a imagem de um acto criativo isolado do meio envolvente, é mais uma caricatura do que um retrato fiel dos profissionais que optam por esta via.
Qualquer bom designer, mesmo que não recorra a user research estruturado, procura compreender os destinatários do seu trabalho e para tal recorre às mais variadas fontes de informação.
Discutir as virtudes de uma ou outra via é um exercício sem sentido, porque esta é uma questão em que os fins justificam claramente os meios, i.e., o mais importante não é o processo mas sim o resultado final.
Síntese
Procurei, aqui, fazer uma pequena introdução à usabilidade, clarificando o conceito, explicando as suas mais-valias e tocando levemente em duas formas de melhorar a usabilidade de um produto.
Futuramente pretendo voltar ao tema abordando especificamente cada uma das principais técnicas de user research usadas no design centrado no utilizador.
3 Comentários | Comentar
“Esta definição de “design de génio”, que transmite a imagem de um acto criativo isolado do meio envolvente, é mais uma caricatura do que um retrato fiel dos profissionais que optam por esta via.”
Eu optaria por construir uma moldura feita de caricas(tura) para qualquer um dos retratos fieis :)
Ricardo Baeta
20 de Fevereiro de 2008
10h:04m
“design de génio” só a e na Natureza :D
Para mim a maior fonte de inspiração e onde realmente se pode dizer que “a forma segue a função”:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Forma_segue_a_fun%C3%A7%C3%A3o
http://www.flickr.com/photos/journeytonowhere/2109984232/
http://www.flickr.com/photos/benedikte/1472401409/
Mas enfim, esta é só a minha visão (um tanto poética é certo)
… ninguém é perfeito certo :P ?!
Carla Pessoa
20 de Fevereiro de 2008
13h:14m
[…] praticado por profissionais de experiência de utilização (designers, especialistas em usabilidade, user experience designers, […]
User Research em Projectos Web | guspim.net
23 de Fevereiro de 2008
09h:56m
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