[Restaurante] A Charcutaria
Publicado em 16 de Junho de 2008
- A Charcutaria
- Rua do Alecrim 47 A
- São Paulo
- 1200-015 Lisboa
- Tel.: 213423845
É um pouco estranho para mim escrever sobre restaurantes. Não tenho obviamente competência para o efeito. A minha cultura gastronómica é no mínimo risível e o meu paladar tem uma memória que jamais poderia ser comparada à de um elefante.
Mas há uma coisa em que sou bom, diria mesmo excepcional; de uma clarividência inaudita: a comer.
Penso que tenha sido a forma como exprimo o prazer que tenho nesse acto sublime que levou alguns amigos a incentivarem-me a escrever sobre restaurantes.
Para não arriscar cair já em desgraça, começo por um honroso membro da fina flor da restauração alentejana: A Charcutaria.
Visitei o da Rua do Alecrim, mas existe um irmão homónimo de maior idade na Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, que é responsável pelo nome da casa.
Reza a história que onde hoje mora o irmão mais velho outrora residia uma das melhores charcutarias de Lisboa, gerida com mestria pelos progenitores do actual dono.
Quis o destino que fosse lá levado por uns amigos, e eu não poderia estar mais de acordo com o destino, desculpem, com os amigos. Estamos perante um lugar de eleição.
À entrada imediatamente nos cai no goto a decoração do local, palco ideal para a autêntica comédia sensorial em quatro actos que se seguiria, daquelas que nos deixam um sorriso estúpido estampado no rosto.
1º Acto
Quando chegámos à mesa reparámos que já tinham começado sem nós. Alguém se tinha adiantado e guarnecido a dita com as entradas oficiais: empadinhas de galinha, polvo em vinagrete, pimentos vermelhos assados e migas. Tudo, mas mesmo tudo, de uma qualidade inquestionável. Estava também presente um atraente paté, mas não tive tempo para lhe dedicar a devida atenção.
Quanto a líquidos, cumprindo o que já começa a ser um hábito, iniciei as hostilidades com uma Sagres bem gelada.
2º Acto
Para as entradas oficiais não se sentirem sozinhas decidimos convidar umas oficiosas: pezinhos de coentrada (não provei, mas é um das especialidades da casa comprovada pelo sorriso dos convivas), uns “revueltos” com espargos selvagens e cogumelos e o melhor presunto que me passou pela boca: um arrebatador Pata Negra.
Por esta altura a cerveja já tinha cedido a vez a um tinto que desconhecíamos, mas resolvemos arriscar, de seu nome José de Sousa 2004. Recomenda-se.
3º Acto
Para prato principal optei, e não me arrependi, por uma alheira de caça acompanhada com grelos salteados. Mas ainda roubei um bocado de rosbife do prato da Maggy, que encharquei com o molho de pimenta verde. Podem acrescentar o rosbife ao lugar de pódio que atribuí ao presunto.
4º Acto
O bolo de chocolate, que uma das convivas cirurgicamente apelidou de bolo húmido, vive da sua indecisão entre assumir a maternidade ou a paternidade. Filho do tradicional bolo e da inconsistente mouse, não decidiu se há-de sair ao pai ou à mãe. E ainda bem, porque o nosso paladar agradece a sua permanência no limbo aproveitando ao máximo tanto o sabor como a textura.
Síntese
Na Charcutaria não se inventa a roda, faz-se-a rodar como ninguém. Comida tradicional com esta deve ser: sem peneiras.
Quanto ao preço, fui fintado na hora de pagar por isso não assumi a conta, logo não posso precisar o preço do repasto faustoso que descrevi. Mas o preço médio de uma refeição andará entre os 25 e os 40 euros.
Uma última nota para os fumadores, que encontram uma sala própria, devidamente isolada do resto, mas com uma simpática varanda que afasta o local da estigmatização usual da “sala de fumo”.
2 Comentários | Comentar
Que maldade. E um gajo aqui no UK sem poder ir lá jantar já hoje.
Bruno Figueiredo
16 de Junho de 2008
20h:51m
Fiquei com fome. Depois de acabar de jantar… ;-)
Bruno
16 de Junho de 2008
21h:01m
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