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[Entrevista] Joana Viana (1)

Publicado em 4 de Setembro de 2008

Joana Viana

Joana Viana
Formadora, investigadora, gestora de conteúdos, …

A Joana Viana é uma das pessoas com quem tenho mais prazer em trabalhar. Tem aquele brilho nos olhos de quem tem paixão pelo que faz.

Quando foi trabalhar para o GAEL rapidamente percebi que seria a companheira ideal para projectos de investigação, assim como admirei desde logo a sua capacidade de gestão e planeamento.

Apesar dos mais de dez anos que nos separam, é das pessoas que melhor lidou até hoje com a minha conhecida dureza no esgrimir de ideias, demonstrando sempre jogo de cintura para aceitar as críticas e retorquir com argumentos pertinentes.

Pelos conselhos que lhe dou, por vezes sinto-me como uma espécie de “mentor” dela, mas frequentemente os papéis invertem-se e sou eu quem bebe do seu conhecimento e experiência.

A sua contínua sede de novos saberes e a dinâmica que incute aos projectos em que se envolve constituem um excelente exemplo do que deve ser um profissional preparado para enfrentar os desafios da sociedade actual.

Quando descobriste a tua vocação profissional?

Bem, a vocação profissional pode ser abordada de diversas formas… Mas se me centrar na vocação profissional no que toca às Ciências da Educação, domínio onde me insiro e, de facto, me sinto realizada, essa foi apenas descoberta na própria Licenciatura! Eu explico…

As Ciências da Educação são uma área de intervenção profissional menos conhecida do que muitas outras actividades profissionais que podemos enunciar, mais tradicionais e reconhecidas. Eu, desde criança, desejava seguir Matemática. Era a minha área de eleição…

No entanto, lembro-me de estar a iniciar o 10º ano e começar a reflectir sobre o meu futuro. Do que conhecia achei que para seguir a área de Matemática provavelmente iria ser professora, mas eu não queria nem me imaginava a ser professora! Portanto, comecei a tentar perceber o que poderia “ser” ao nível profissional (o que não é uma tarefa nada fácil quando somos adolescentes…).

Considerei Psicologia uma área interessante e com a qual me identificava. Decidi que iria fazer a Licenciatura.

Durante as pesquisas para ingressar no ensino superior, descobri que nas mesmas Faculdades existia o curso de Ciências da Educação, com algumas disciplinas iguais nos dois cursos, especialmente no 1º ano. Pesquisei melhor sobre o curso de Ciências da Educação e sobre as respectivas saídas profissionais. Agradou-me, mas continuava a querer Psicologia.

No concurso nacional de acesso ao ensino superior optei por colocar Ciências da Educação na 2ª opção, para a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (FPCE-UL). Não entrei na Licenciatura em Psicologia por duas décimas!

Desde as primeiras aulas de Ciências da Educação, os primeiros trabalhos, as primeiras leituras e o contacto directo com a área, o domínio de intervenção e as suas potencialidades fiquei rendida!

Percebi que estava muito enganada. Compreendi que o que eu sempre desejei foi Ciências da Educação e não Psicologia! Mas não sabia, nem podia saber, pois não conhecia…

Não me formei para ser professora, mas fiquei intrinsecamente ligada à Educação, ao Ensino, à Formação, a todo o tipo de actividades educativas e formativas…

Fala-nos um pouco sobre o teu percurso académico e profissional.

Até ao 9º ano de escolaridade posso dizer que fui a designada “boa aluna” (pelo menos em termos de resultados escolares): lembro-me que no 2º e 3º períodos tinha 5 a todas as disciplinas.

No ensino secundário, optei pela área “científico – natural” e fui uma aluna “média”. Tive a minha primeira negativa, na prova global de inglês! Fiquei com alguma aversão ao inglês (o que ainda hoje é notório…) e as Professoras que tive não ajudaram a melhorar “essa relação”.

Durante a Licenciatura envolvi-me no curso, naquilo que fazia em cada disciplina! Tive consciência da importância de estar atenta ao contributo de cada área disciplinar para aquilo que poderia vir a fazer em termos práticos, ao nível profissional.

Poucas foram as disciplinas que considero terem sido desnecessárias… Vários foram os Professores, os pensamentos e as leituras que me marcaram durante esse percurso!

No 2º semestre do 3º ano tinha de escolher uma área de especialização do curso, sobre a qual tinha 2 ou 3 disciplinas específicas em cada um dos semestres seguintes. Eu desejava a área de Desenvolvimento Curricular, pois incluía as Tecnologias Educativas – a minha área de eleição para intervir. Nenhum colega iria escolher essa área, e perante este cenário não queria ser a única aluna… Optei por Formação de Adultos.

Não me arrependo, pois adquiri imensos conhecimentos, desenvolvi competências e realizei aprendizagens essenciais para a minha intervenção profissional, mesmo na área das tecnologias educativas.

O último ano da licenciatura consistia em desenvolver um estágio curricular. Durante o 4º ano, o Gabinete de Apoio à Produção de Conteúdos Multimédia e e-Learning (GAEL), no Instituto Superior Técnico, nomeadamente o Projecto e-escola, apresentou-se como um potencial contexto para o desenvolvimento do estágio. No entanto, e como sou de Leiria, pensei que poderia tentar conciliar dois estágios, e nesse sentido, enviei a proposta para quatro Instituições em Leiria.

Na Escola Superior de Educação – Instituto Politécnico de Leiria (ESE-IPL) deram-me a possibilidade de apresentar uma proposta, que envolvesse adultos seniores (ou adultos maiores, como se começam a designar!) e as TIC (após articulação entre o meu currículo e os objectivos da ESE-IPL).

Apresentei a proposta para o desenvolvimento do Projecto Teclar, Ensinar e Aprender entre Gerações com Tecnologias, que foi aceite.

Desenvolvi os dois estágios, em Leiria e em Lisboa, entre Outubro de 2005 e Junho de 2006: coordenação e formação no Projecto Teclar e gestão educativa de conteúdos no Projecto e-escola. No final dos dois estágios tive a possibilidade de continuar a articular as duas actividades profissionais, onde continuo neste momento!

Durante a licenciatura colaborei e participei nalgumas iniciativas ligadas ao uso das tecnologias na educação, ao “serviço do ensino e da aprendizagem” (frase muito utilizada pelo Professor Fernando Costa, com quem comecei a colaborar e a desenvolver o meu percurso profissional! Obrigado especial!):

  • Curso de Verão – Desenho de Projectos de e-learning, em 2004 e em 2005, na FPCE-UL e no CNED
  • Projectos de investigação e formação na área das Tecnologias Educativas e do Desenvolvimento Curricular
  • Desenvolvimento do CD-ROM sobre a FPCE-UL, os cursos e as saídas profissionais, para divulgação junto de alunos do ensino secundário (especialmente no Fórum Estudante – FIL)
  • Colaborei também na organização do Colóquio da AFIRSE , nos anos 2005 e 2006, (que se realiza todos os anos na FPCE-UL com temáticas diferentes).

Desde 2006, colaboro no Projecto eNote da UI&DCE, coordenado pelo Professor Fernando Costa.

No ano lectivo 2007/2008, colaborei na disciplina de Tecnologias Educativas I e II, especialmente nas aulas práticas, dos alunos do 1º e 2º anos da Licenciatura em Ciências da Educação da FPCE-UL.

Desde Fevereiro deste ano colaboro no Projecto IPL 60+ dinamizado pelo Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e dirigido a adultos com mais de 60 anos, numa perspectiva de formação ao longo da vida.

Com base no estudo que realizei contigo sobre a experiência de utilização do portal e-escola durante o ano de 2006, fomos convidados a escrever um artigo (“Investigação centrada no utilizador em projectos Web de natureza educativa. Experiência de utilização do portal e-escola”) para o livro As TIC na Educação em Portugal, editado pela Porto Editora, em Abril de 2008.

Actualmente estou também a desenvolver o Mestrado em Ciências da Educação – Área de Especialização em Tecnologias Educativas, na FPCE-UL.

Quais são os teus principais projectos actuais?

  • Desenvolvo o Projecto Teclar em Leiria (na ESE-IPL)
  • Faço gestão educativa de conteúdos no GAEL-IST
  • Desenvolvo o meu projecto de mestrado, em Ciências da Educação, na área de Tecnologias Educativas
  • Colaboro no Programa IPL 60+ desenvolvido pelo IPL

Numa segunda parte desta entrevista, a publicar brevemente, a Joana falar-nos-á em maior profundidade de alguns dos seus projectos, assim como fará um pouco de “futurologia” ;-).

4 Comentários | Comentar

Com uma introdução destas à minha pessoa fico toda “corada”!
Obrigado ;)

É verdade que desde o início a troca e confronto entre nós de perspectivas, argumentos, conhecimentos… foi muito importante para a minha evolução a nível profissional!

Também gosto de trabalhar contigo e fazer “jogo de cintura”, marcado pela tua “dureza no esgrimir de ideias” ;)

Só me resta dizer que é um privilégio ser a primeira entrevista que publicas no blog, considerando o conjunto de pessoas com ricas histórias de vida e estórias para contar bem interessantes..!

beijinho

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Joana
5 de Setembro de 2008
22h:40m

Durante estes dois anos em que tive o privilégio de poder conviver com a Joana, no programa Teclar, posso e devo testemunhar o que até agora aprendi, já que sem os seus ensinamentos jamais me era possivel estar aqui a ler e a comentar esta sua entrevista.

Para além da sua capacidade para ensinar, é uma pessoa de uma simpatia extrema, de uma simplicidade única, de uma paciência invejável. A ela devo tudo o que hoje sei das novas tecnologias.

Sobre o seu curriculum é simplesmente fantástico, Deus a ajude.
Parabéns.

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José Ricardo
5 de Outubro de 2008
15h:47m

Gostei muito de ler as palavras acima descritas… e subscrevo o texto introdutório!
Tive o prazer de conviver com a Joana Viana durante 5 anos de Licenciatura, e cresci muito com a partilha que existiu (e existe) e com os trabalhos de grupo! entendo muito bem quando o entrevistador refere o “jogo de cintura” e o “esgrimir de ideias”, as nossas jornadas de trabalhos de grupo eram feitas desses momentos e sinto que isso me ajudou a tornar na profissional que hoje sou!

Parabens pela entrevistas… gostei muito da abordagem às C.E.! Parabéns ao entrevistador e à entrevistada!

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Maria Marques
8 de Outubro de 2008
22h:04m

É a segunada vez que visito este blog do amigo da Joana,pois da primeira vez,não consegui comentar por motivos de ordem particular.Mas como não poderia deixar de o fazer, hoje, dia 10 de Outubro de 2008, visitei de novo este blog onde li a entrevista dada pela Joana ao seu amigo.
Assim, quero dizer que adorei a entrevista da «Nossa» Joana, a quem devo muito do que aprendi, nas novas tecnologias! Quando,em 2005,entrei na ESEL, e me confrontei com tantos pcs, pensei para comigo:- Onde eu me vim «meter»! Fiquei assustada e a pensar que seria a primeira e a última vez que ali iria!
Mas não!!! Embora de começo sentisse muitas dificuldades em me habituar ao «ratinho»,ao pc e aos termos técnicos de que não estava habituada a ouvir, com a preciosa ajuda da Joana, a sua disponibilidade, simpatia e boa disposição, aos poucos, consegui uma grande «Vitória»!
Hoje, depois de três anos na companhia do grupo Teclar, a que hoje a Joana, chama de «Veteranos», posso dizer que me sinto um pouco àvontade com esta «Máquina», de que tanto receio eu tinha de enfrentar!
Hoje, sei navegar na NET, fazer videos no photostory3, powepoints, enviar e receber mensagens, colocar fotos no pc, falar no msn, e, deliciar-me, durante algum tempo, com toda esta Maravilha que nos oferece a NET!!!
Ao amigo da JOANA, quero dar os parabéns por ter tido a ideia de a entrevistar pois bem merece!!!
Um beijinho da aluna da Joana, e, daquela que podia ser sua avó!!!

maria da cruz

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maria da cruz
10 de Outubro de 2008
09h:45m

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