“Outliers are those who have been given opportunities — and who have had the strength and presence of mind to seize them.”
Malcolm Gladwell
O último livro de Malcolm Gladwell, autor de Tipping Point e Blink, foi-me narrado pelo próprio já um pouco tarde face à data de publicação. Depois de algum entusiasmo inicial, rapidamente concluí que provavelmente nunca lhe devia ter pegado…
Não me entendam mal, o seu enorme carisma e facilidade em traduzir fenómenos complexos para a linguagem do senso comum continuam bem vivos e estimulantes. O problema reside nos processos questionáveis como consegue esse feito.
Antes de começar a “bater”, vejamos o que é defendido nesta obra: o sucesso não advém de um dom inato, mas sim de um conjunto de oportunidades (ano e local de nascimento, família, etnia, …) e da “força de espírito” para as aproveitar. Mais: o autor defende que qualquer outlier teve que trabalhar pelo menos 10000 horas até atingir esse estatuto.
O vídeo humorístico que se segue sintetiza esta tese. Vejam-no que já voltamos à vaca fria.
Onde é que eu assino por baixo? Não podia estar mais de acordo, mas qual é a novidade?
Ao longo de todo o livro o autor afirma que a generalidade das pessoas vê o sucesso como fruto de um dom inato?! Ou seja, até ele nos vir iluminar a todos, a maioria de nós pensava que só tinham sucesso aqueles que tinham sido tocados por uma espécie de toque divino?!
Estamos perante um exemplo da falácia do straw man… Ou seja, interpretar erroneamente os argumentos do nosso opositor para logo a seguir o criticar.
Acredito que ainda haja uma percentagem significativa de pessoas que pensem que o sucesso advém de algo inexplicável, que “nasce connosco”. Mas daí a ser a visão dominante…
Críticas à parte, o livro apresenta-nos alguns excelentes exemplos de que a crença num dom inato não faz sentido, mesmo na história daqueles que aprendemos a considerar especialmente dotados. Vejam por exemplo o caso dos Beatles:
Mas não à bela sem senão… Não são raros os casos em que o autor se contenta com explicações simplistas que fazem as minhas “raízes de sociólogo” retraírem-se em sinal de protesto.
Conclusão
Mesmo com as fragilidades que apontei, Outliers é um livro agradável de ler, sobretudo na silly seasson onde a tolerância a alguns devaneios e imprecisões é maior… Poderia ser um excelente livro se cumprisse duas condições:
- Fosse mais rigoroso e exigente na sustentação das afirmações.
- Não construísse um uma ideia falsa de como o senso comum vê a explicação do sucesso.
Recomendo a leitura? Não. Prefiro que vejam antes a entrevista que o Malcolm Gladwell deu ao Charlie Rose e depois decidam por vocês próprios.

1 Comentário | Comentar
Dele só li o tipping point, e quanto a esse também achei que faltava uma base mais sólida de argumentos. No entanto a linha de raciocínio faz sentido e não sei de nada que a contradiga por completo.
Tenho pena que pelos vistos o Outliers tenha a mesma falta de argumentos.
Quanto à sorte, não me parece factor determinante. É uma questão de criarmos oportunidades.
Bruno Amaral
10 de Agosto de 2009
15h:04m
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